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Taxas Curtas dos DIs Cedem com IPCA-15 e Treasuries, mas Longas Sobem com Temor Fiscal

O mercado de juros futuros apresentou um comportamento misto nesta terça-feira. Enquanto as taxas curtas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) recuaram, impulsionadas por dados benignos do IPCA-15 e alívio nos rendimentos dos Treasuries americanos, as taxas longas voltaram a subir, refletindo preocupações renovadas com o cenário fiscal brasileiro.

IPCA-15 Reforça Perspectiva de Alívio Inflacionário

O IPCA-15 de abril, considerado a prévia da inflação oficial do mês, veio abaixo do esperado, com alta de 0,21%, contra projeções em torno de 0,30%. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 3,77%, reforçando a visão de que a inflação segue controlada no curto prazo.

Esse movimento fortaleceu apostas em corte da Selic ainda em 2025, influenciando diretamente os DIs com vencimentos de curto prazo. Com isso, papéis como o DI jan/25 e jan/26 apresentaram recuos expressivos nas taxas.

Treasuries e Ambiente Global

No cenário internacional, a queda nos rendimentos dos Treasuries americanos, após dados mistos da economia dos EUA e falas mais cautelosas de dirigentes do Federal Reserve, contribuiu para o movimento de alívio nos juros curtos no Brasil.

A diminuição na atratividade dos títulos americanos reduz a pressão sobre ativos emergentes, incluindo o real e os juros domésticos de curto prazo.

Parte Longa Sobe com Receio Fiscal

No entanto, o movimento de queda não se estendeu aos vértices mais longos da curva. DIs com vencimento em 2028, 2031 e 2035 voltaram a subir, em um reflexo direto do aumento da percepção de risco fiscal.

Investidores reagem a declarações de membros do governo sobre flexibilizações no novo arcabouço fiscal e dúvidas quanto à capacidade do Executivo em cumprir metas de resultado primário. A ausência de cortes significativos de gastos e o avanço de propostas de renúncia tributária agravam a incerteza.

Resumo do Mercado

  • DI jan/25: queda de 10 pontos-base
  • DI jan/27: queda de 6 pontos-base
  • DI jan/31: alta de 7 pontos-base
  • DI jan/35: alta de 9 pontos-base

O Que Observar Agora?

  • Próximos discursos do Ministro da Fazenda e do Presidente do Banco Central;
  • Tramitação do arcabouço fiscal no Congresso;
  • Indicadores de atividade nos EUA e Europa;
  • Ata do Copom, que pode indicar os próximos passos da política monetária.

Conclusão

O mercado de juros vive uma divisão clara: alívio no curto prazo com inflação controlada, mas tensão no longo prazo diante da fragilidade fiscal. Esse descompasso reflete a complexidade atual da economia brasileira — que depende de sinais claros tanto na política monetária quanto na condução das contas públicas.

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