O mercado amanheceu em alerta nesta quinta-feira após uma combinação de tensões geopolíticas e incertezas políticas internas. O dólar comercial disparou e ultrapassou a marca dos R$ 5,90, maior patamar desde o início da pandemia, pressionando investidores e gerando volatilidade nos ativos brasileiros.
Tensão Internacional: Trump e Zelenski Elevam o Tom
A disparada do dólar tem como pano de fundo uma troca pública de declarações entre Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, e Volodymyr Zelenski, presidente da Ucrânia. A discussão, que ganhou força nas últimas horas, gira em torno do apoio militar dos EUA ao conflito na Ucrânia e uma possível reconfiguração geopolítica caso Trump retorne à Casa Branca.
Trump criticou duramente os gastos com a guerra e insinuou uma revisão radical do apoio à Ucrânia. Em resposta, Zelenski fez declarações contundentes, acusando Trump de “colocar em risco a estabilidade global”. O impasse gerou incerteza sobre o futuro da OTAN e do suporte financeiro americano a países aliados, impactando diretamente os mercados emergentes.
Política Interna: Indicação de Gleisi Hoffmann Gera Ruído
No cenário doméstico, a indicação de Gleisi Hoffmann para um cargo estratégico no governo federal causou desconforto entre investidores. Líder do PT e figura de forte polarização política, sua possível nomeação para uma pasta econômica ou de articulação política é vista com receio pelo mercado, que teme interferências em decisões técnicas e uma guinada mais ideológica.
A percepção de risco político aumentou, refletindo-se nos ativos brasileiros, com queda da bolsa e fuga de capital estrangeiro — fatores que pressionaram ainda mais o câmbio.
Reação do Mercado
- Dólar comercial: R$ 5,91 (alta de +2,4%)
- Ibovespa: -1,8% no início da sessão
- Títulos públicos: alta nas taxas, refletindo maior percepção de risco
Além disso, investidores buscam proteção em ativos considerados mais seguros, como ouro e títulos do Tesouro norte-americano.
O Que Esperar nos Próximos Dias?
O cenário é de cautela. A continuidade da alta do dólar vai depender da evolução das tensões externas e da condução política interna. Analistas recomendam atenção aos próximos desdobramentos em Washington e Brasília, além dos dados de inflação nos EUA e das decisões de política monetária do Banco Central do Brasil.